Energia é a capacidade que um corpo tem de realizar, de fazer acontecer, de gerar força, de trazer resultados, de trabalhar.
Uma curiosidade que poucas pessoas sabem. Energia é trabalho. Uma palavra de origem Grega, “ergos”, que literalmente significa trabalho.
Tenho vários amigos e conhecidos com mais de 50 anos, e todos eles esbanjam energia em casa, no trabalho, nos estudos, na vida social, nos relacionamentos amorosos. São pessoas que praticam atividades físicas, viajam, se divertem e a maioria deles, na maior parte do tempo, são exemplos de alegria, bom-humor e felicidade.
Para ilustrar, um destes amigos tem dois filhos, um casal de adolescentes. E sem exagero, ele coloca a energia dos seus dois filhos no bolso. É ele quem movimenta a casa incentivando e motivando os filhos a viverem mais.
E você, tem mais de 50 anos e se identificou? Todos eles me dizem que tem mais energia agora do que há 30 anos. Consideram-se mais inteligentes, com mais conhecimento, muito mais experientes, atrevem-se a dizer que hoje carregam a sabedoria de viver. E também são unanimes em afirmar que não trocariam seus 50 anos de hoje pelos 20 anos de ontem.
Gerações da força de trabalho
Bem, sou profissional de recursos humanos e trabalho diretamente com recrutamentos. Tenho a oportunidade de selecionar e entrevistar vários profissionais de todas as faixas de idade e se dependesse de mim, não teria dúvidas, contrataria a maior parte deles, profissionais com 50 anos ou mais.
Entretanto, o que mais se vê, são empresas dizendo não a essa classe tão valiosa de profissionais. Será que estas empresas estão vendo alguma coisa que eu ainda não vi?
A frequência com que isso acontece me fez refletir, pois, precisava entender por que o preconceito com a idade é tão grande.
Por essa razão, resolvi criar uma tabela, bastante simples, e que tomei por base os meus conhecimentos e experiência na área. Assim, eu mesmo pude ter uma visão mais clara dos comparativos entre profissionais jovens, ditos da Geração Y e Geração Z e os ditos Baby Boomers e Geração X, sobre vários aspectos que eu considero importantes para uma empresa na hora de contratar.
A tabela
Classifiquei cada item em: Mais; Menos e Relativo.Veja como ficou e me diga se concorda!
| Aspecto | Geração Y e Geração Z | Baby Boomers e Geração X |
| Disposiçãofísica | Relativo | Relativo |
| Disposição em aprender | Relativo | Relativo |
| Tempo para se tornar produtivo | Mais | Menos |
| Hábitos (vícios) corporativos | Menos | Mais |
| Experiência profissional | Menos | Mais |
| Conhecimentos acadêmicos | Relativo | Relativo |
| Capacidade de inovação | Relativo | Relativo |
| Visão Tecnológica | Relativo (+) | Relativo (-) |
| Capacidade de decisão | Menos | Mais |
| Estabilidade emocional e comportamental | Relativo (-) | Relativo (+) |
| Custo para a empresa | Menos | Mais |
| Ameaça ao status quo | Menos | Mais |
| Moldável a cultura organizacional | Mais | Menos |
| Suscetibilidade a troca de empresa | Mais | Menos |
| Suscetibilidade a transição de carreira | Mais | Menos |
Curiosamente, o resultado foi um empate técnico, um equilíbrio, o que significaria, em primeira instância, que os profissionais mais velhos não perdem em nada para os mais jovens, pois, sempre há uma relação compensatória, ora para um, ora para outro.
Contudo, essa é uma representação generalista, naturalmente, que cada aspecto deve ter pesos diferentes para cada empresa e que, provavelmente, resultaria em maiores tendências para um ou para o outro.
O que é mais importante
Exercícios a parte, devo dizer que o ideal para qualquer organização é a integração entre todas as gerações. Não é por acaso que hoje vivemos um cenário extremamente diversificado onde, atuam, simultaneamente, quatro gerações distintas de profissionais. Logo, teremos ainda mais uma, a Geração Alpha.
Porém, nenhuma organização sustentaria sua energia competitiva se apostasse em uma homogeneização no perfil demográficodo seu quadro de colaboradores. Qualquer que fosse ele.
Desta forma, faz-se necessário que a alta gestão corporativa e o empresariado brasileiro fiquem atentos a importância que existe em colocar o talento correto a cada demanda. Há áreas onde é fundamental a presença de mentes novas com visão inovadora, assim como, áreas onde a experiência irá fazer toda a diferença para melhor. Basear-se em apenas um fator, neste caso a juventude, pode custar a sobrevivência mercadológica da organização.
Além disso, existem outras questões que devem ser alvo das avaliações na hora da contratação. Um grande exemplo disso é se perguntarquanto tempo um candidato jovem levaria para se tornar produtivo em comparação a um candidato mais experiente.
Conheço muitos jovens, inclusive formados, que declaram ainda não saberem exatamente que carreira seguir. Jovens que iniciam em uma organização e meses depois estão desanimados e desmotivados porque não se identificaram com o trabalho proposto ou com o negócio da empresa.
A incerteza dos jovens pode custar dinheiro à organização. Estes são aspectos onde a experiência traz grandes vantagens, pois, já sabem o que querem e, principalmente, o que não querem.
Não deixe que cabelos brancos ofusquem sua visão de negócio. São marcas que o tempo, sabiamente, deixou para mostrar que existe uma história de vida que precisa ser valorizada e apreciada.
Por fim, sigo unindo conhecimento e simplicidade.
André Curcioli
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