Você acabou de ser contratado para um novo desafio profissional. Os últimos dias tem sido uma mescla de diferentes sentimentos: ansiedade, expectativa, euforia, apreensão, vontade de arregaçar as mangas e começar a trabalhar.
Mas enfim, o primeiro dia! Nomes para guardar, centenas de informações novas, relatórios e documentos para ler, conversas e reuniões a agendar.
Os primeiros dias e semanas são consumidos pelo desafio de compreender a empresa, na qual você agora é um líder, os desafios que terá pela frente e com quem você pode contar.
Entendimento sobre a Organização
Durante o processo seletivo, você busca conhecer ao máximo a empresa, seja durante as entrevistas, pesquisando na internet ou usando a sua rede de relacionamentos. Qual a trajetória desta empresa, o que a trouxe até aqui, como se posiciona no mercado, qual a sua razão de existir, quais os seus valores, como é a liderança, como é o ambiente de trabalho, como se dá a tomada de decisão, qual o grau de autonomia, entre tantas perguntas, e elas são infinitas!
É fundamental conhecer a empresa na qual iremos passar boa parte do nosso dia. E isso implica em avaliar o grau de alinhamento entre a cultura organizacional da empresa e você. Há muitos anos, ouvi uma frase que trago comigo até hoje: “Não se trata de simplesmente vestir a camisa da empresa. Se trata de conhecer a sua camisa, a camisa da empresa e ver se elas combinam”. Ou seja, para dar certo, um executivo deve estar em sintonia com os valores e crenças de uma determinada empresa. É uma escolha de ambos os lados. E nas primeiras semanas, você gasta boa parte do seu dia, tentando compreender como a Organização funciona, se ela tem a ver com você e como você trabalhará nela.
Resultados e Entregas
Em algumas empresas há uma clareza, desde o início, sobre os resultados esperados do novo executivo. Não é incomum um executivo ser contratado para uma “missão”, um grande desafio, que orienta toda a sua estratégia e plano de ação, quando essa missão é clara e compactuada por todos. Mas nem sempre é assim! Eu mesma já me vi numa situação na qual fui contratada para ajudar no processo de profissionalização da empresa: um belo desafio, mas completamente abstrato! O restante estava em minhas mãos: eu deveria conversar com meus pares e clientes internos para identificar quais seriam as minhas prioridades e entregas.
Independentemente de qual for a sua realidade, há algo que parece comum. O desafio que todos nós temos, como líder, é amplo, sistêmico e complexo. Não se trata apenas de uma meta concreta, lógica, racional e com indicadores claros. Em geral, nosso desafio abarca a necessidade de um processo de mudança organizacional, a revisão de processos, o engajamento de pessoas, a análise do que é resultado no curto, médio e longo prazo.
Portanto, compreender os desafios em sua totalidade e em todas as suas dimensões parece ser uma questão chave a ser priorizada nas primeiras semanas.
Relacionamento com pares e interfaces
Na medida em que vamos conhecendo nossos colegas de trabalho, pares, áreas de interface e fornecedores, vamos analisando e formando um mapa social: quem serão os aliados, com quem poderei contar, quem são os formadores de opinião, quem são possíveis opositores e obstáculos para que eu consiga fazer o meu trabalho.
É fundamental, neste momento, compreender o cenário e a dinâmica das relações e traçar estratégias para cada grupo de pessoas. Há empresas com ambientes competitivos, que valorizam mais o destaque individual, outras já são voltadas para processos coletivos e construção de consenso. Reconhecer como a tomada de decisão acontece é primordial. Isso porque, sabemos, que “andorinha sozinha não faz verão” e o engajamento das pessoas em torno de uma ideia é fundamental para levá-la adiante.
Equipe
Em geral, herdamos uma equipe. Uma equipe que traz uma história, uma dinâmica própria e um patamar de capacitação e engajamento.
Compreender o time, a sua composição e a sua capacidade de entrega é fundamental, e isso, geralmente, tem que ser um processo rápido, principalmente, quando há uma pressão mais forte por novos patamares de resultado.
A chegada do líder em uma equipe já instituída precisa ser muito bem cuidada, pois ele precisará necessariamente “ganhar” a equipe, para que ela, de fato, sustente suas novas ideias. Isso implica em colocar em prática um desejo genuíno de conhecer as pessoas, o respeito em relação ao histórico delas e a capacidade para inspirá-las e engajá-las para o novo momento.
Todos estes desafios, se bem trabalhados, aceleram a integração do executivo e potencializam a sua contribuição para a Organização. Nosso compromisso é apoiá-lo após a contratação, promovendo a construção de uma visão sistêmica dos desafios, o alinhamento cultural e de expectativas, além de uma atitude consciente com a equipe, pares e interfaces.
E os benefícios decorrentes deste trabalho de acompanhamento são para todas as partes envolvidas. Tanto para a empresa, que aumenta a possibilidade do executivo dar certo, evitando incorrer em todos os custos decorrentes de uma má contratação e a necessidade de reposição, quanto para o executivo que passa a ter uma maior apoio visando o sucesso de sua missão naquela empresa.
– Beatriz Pacheco Rodrigues



