esperança depois da crise

Heranças da Crise

Não sei se estou sendo otimista demais, mas, muito tenho lido sobre a opinião das pessoas de que o futuro depois desta crise, pós-pandemia, não reserva muitas coisas boas. Sinto ar de pessimismo, desesperança nos olhos das pessoas e é o que demonstram em seus textos e publicações nas redes sociais.

Quero acreditar que seja somente um momento de extremo cansaço diante de tantas notícias tristes, mas que logo, quando tudo isso passar, as pessoas se encham novamente de esperanças e se reconstruam, criando um promissor novo futuro.

Naturalmente que há pessoas com diferentes expectativas, alguns grupos mais pessimistas, outros mais otimistas e ainda grupos que não querem se arriscar e se mantém firmes, com os pés no realismo.

O momento é difícil e o meu realismo me diz isso. No entanto, não posso deixar de acreditar na desordem necessária que sempre antecede a organização e a ordem. Portanto, me incluo no grupo dos otimistas, porém, sem perder a realidade de vista.

Crise: O que o meu otimismo diz!

Neste sentido, o meu otimismo diz que os efeitos deflagrados por esta pandemia serão positivos. Não posso simplesmente aceitar que a morte de milhares de pessoas, seja em vão.

Logo, sou levado a esperar que o comportamento afetivo das pessoas após a crise será o melhor possível. Acredito que as pessoas passarão a cuidar mais de si mesmas, dando maior atenção à saúde e a qualidade de vida em detrimento ao antigo frenesi pela busca de riquezas materiais.

Os olhares estarão voltados para a família, para os amigos e a espiritualidade.

É neste contexto que vejo o trabalho retornando a sua essência, ou seja, como fonte de prazer e realização pessoal, deixando o dinheiro como consequência do amor pelo que se faz.

A tolerância com as próprias imperfeições e com a dos outros, deve ganhar força, e assim, a veremos em abundância nos lares, nas empresas, nas ruas e, porque não, no trânsito.

Será um show, contagiante, de gentilezas.

Outra coisa que espero ver com mais frequência é a resignação das pessoas. Seremos capazes de suportar com mais facilidade, outras grandes perdas. Assim como, a resiliência e a persistência serão características mais comuns do novo comportamento humano, seja no trabalho, ou na vida pessoal.

Perder entes queridos, estar desempregado, perder negócios sem que possamos responsabilizar alguém por isso irá fazer surgir pessoas de perfil resignado, resiliente e persistente. Não seremos, novamente, abalados tão facilmente.

Dentro das organizações o comportamento dos líderes e liderados, não serão diferentes. Estamos aprendendo muito sobre o que é ser líder em tempos difíceis, pois, agora se faz necessário relaxar em regras e imposições, que antes, eram tão rígidas.

Os líderes estão aprendendo a lidar com a gestão à distância, com a flexibilidade de horários e com os interesses pessoais acima dos interesses da empresa.

Esses gestores estão sofrendo frente à necessidade de dispensar talentos que farão falta no futuro. Reduzir salários que já não eram suficientes e ver lágrimas nos olhos das suas equipes sabendo que esses momentos difíceis deverão ser superados por todos.

Todo esse sacrifício coletivo irá transformar pessoas e profissionais.

O que o meu realismo diz!

O meu realismo sabe da necessidade do isolamento e dos cuidados redobrados com todos.

Ninguém está isento, nem homens, nem mulheres ou crianças, nem ricos e nem pobres, nem negros ou brancos, dos efeitos devastadores, diretos e indiretos, dessa pandemia.

O impacto é o mesmo para todos!

A diferença ficará por conta de cada um sobre como está lidando, e o que irá fazer com tudo isso. Refiro-me a escolhas e atitudes!

Sabe-se que quanto mais difícil é uma situação, maior a exigência de posturas fortes e assertivas.

Não se trata do que podemos fazer neste momento, mas, do que devemos fazer neste momento.

A crise na saúde vem acompanhada da crise econômica provando que o capital humano ainda é indispensável.

Sem as pessoas para comprar, não há necessidade de pessoas para produzir, sem produção não há produtos, sem produtos não há circulação monetária, sem dinheiro, tudo, teoricamente, deve parar.

Esse é o sinal do efeito sistêmico da interdependência humana. A força e a superação, assim como, o sucesso de cada um está nas mãos de todos.

No entanto, quando a pandemia mostrar sinais de enfraquecimento, poderemos começar a relaxar a rigidez sobre os cuidados, porém, levará tempo para que tudo volte ao seu ritmo normal, que passará a ser o novo normal.

Os riscos de uma nova retomada da pandemia pelo mesmo vírus sempre estará presente, ou ainda, os riscos de esse vírus sofrer mutações.

As coisas voltarão ao normal, ou ao novo normal, mas demandará tempo, paciência, persistência e resiliência.

Quando a vacina estiver disponível a todos, e ficará disponível, talvez possamos olhar para trás e ter a certeza de que fizemos o nosso melhor.

Neste momento, a subtração da liberdade faz a gente pensar e rever, muitos dos nossos valores.

Sendo assim, talvez a razão disso tudo seja até muito simples, a de responder apenas duas perguntas: O que é liberdade e qual o seu valor? Por fim, sigo unindo conhecimento e simplicidade.

André Curcioli

Owner na Curcioli, Gestão de Pessoas, Carreiras e Negócios. Especialista em Desenvolvimento de Capital Humano, Aconselhamento de Carreiras e Outplacement.

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